22.4.17
Santorini: Grécia e sua imponente beleza
Conhecendo Santorini, a ilha de história, arte, gastronomia, simpatia e lindas paisagens
Saímos de Rhodes, eu e minha amiga de viagem, e rumamos para Santorini, navegando pelo mar Egeu a bordo do navio Blue Star 2. Você pode encontrar oficinas para comprar os tickets de barcos ou navio em qualquer porto das ilhas gregas. Na companhia Blue Star Ferries a passagem na classe econômica, em uma viagem de 8h, custa 40€. Além da classe econômica, você tem a Air Seats Lounge e a classe Executiva. Alem da Blue Star ferries que foi nossa preferida, você encontra a Hellenic Sea Ways e a Sea Jets.
Pagamos 39 euros por uma viagem de 8 horas. O mais caro foram os custos de comidas e bebidas, se você não quer gastar muito, leve um lanchinho para a viagem. Deixamos por lá o dobro do que pagamos na passagem, só com um prato e uma taça de vinho espumante. Mas como não é sempre que atravessamos o mar Egeu, concordamos que merecíamos aquele brinde.
Como moro na Arábia Saudita e faço muito turismo pela Ásia, senti uma grande diferença entre preços de alimentação e hospedagens. Falam tanto da crise dos gregos, mas parece que eles querem compensar as diferenças com os turistas.
Os preços em hotéis e restaurantes me assustaram um pouco. Uma dica para fazer uma viagem econômica para Santorini é escolher bem o mês. A alta temporada é entre junho e setembro, portanto no meses de maio e outubro você pode encontrar muitas promoções de hotéis, passagens aéreas e ainda vai curtir um clima gostoso.
Parada na ilha de Kos, cidade de Hipócrates, o pai da medicina
Fiquei impressionada com a quantidade de turistas japoneses que entraram no barco. Há japoneses por todos os lados na Grécia.
O pôr do sol é espetacular e nos encantou!
Acordávamos no Afrodete Hotel com muita disposição todos os dias, depois de abrir a janela e encontrar flores, céu azul e este marzão. Este hotel não era de muito luxo, mas tinha o necessário para nosso objetivo do momento, economizar em algo e curtir mais os passeios e as comidas.
Em Santorini você pode encontrar oportunidades para todos os bolsos, mas claro que prevalecem os hotéis 5 estrelas, situados em Oia, de frente para o vulcão. Neste lugar você se encanta com um pôr do sol maravilhoso, por isso é almejado por muitos turistas, mas é onde se deixa cinco vezes mais o valor que pagamos pelo singelo, mas aconchegante, Afrodete (70 euros para duas pessoas por noite).
Aqui deixo a dica do blog de uma amiga, Uma brasileira na Grécia, sobre lugares onde se hospedar por bom preço em Santorini. Este blog me deu uma boa ajuda no planejamento de nossa viagem.
Ficamos quatro dias na ilha e como estávamos na semana do meu aniversário, escolhi celebrar numa vinícola grega bem recomendada. Convidei minha companheira de viagem para uma degustação de vinhos com alguns aperitivos gregos. Partimos de taxi para a Santo Wines, um lugar encantador em Pyrgos, com um restaurante com vista para o mar, a vinícola e uma loja. Você pode reservar pela internet para obter um bom lugar a fim de garantir em esplêndido pôr do sol. Neste dia tivemos sorte de presenciar um casamento grego, magnífico, iluminado pelo majestoso astro rei.
Como íamos degustar vinhos, decidimos neste dia usar o táxi como transporte, mas nos outros alugamos um quadriciclo. Você encontra em muitos lugares para alugar, entre 25 e 40 euros a diária, mas em Fira tem rodoviária com passagens a 2,50 euros para qualquer lugar da ilha.
Depois da degustação de vinhos que programamos para o horário do por do sol, seguimos para a degustação do que mais adoro, frutos do mar na Taverna Perigiali, em Kamari Beach, uma praia supercharmosa, com uma rua em frente ao mar cheia de tabernas com animação e boa comida. Uma ótima pedida para uma balada local.
Para lavar o corpo e a alma no dia seguinte aos vinhos, fomos navegar em um catamarã da Santorini Sailing. O Dream Catcher nos banhou de prazeres entre a ilha vulcânica de Santorini, nos apresentando uma costa de águas cristalinas e montanhas rochosas com seus rabiscos de casinhas brancas e azuis, típicas da Grécia. Alem de nos refrescar com um soft drink, deliciosos vinhos gregos e farta comida mediterrânea, preparada com carinho pelo atencioso chef a bordo. O programa de 5 horas nos custou 98 euros, mas tem opção para todos os bolsos. Para quem gosta de mar como nós, firmes caiçaras, foi a melhor pedida em Santorini.
O mestre Werter iria se orgulhar de ver sua filha navegando no mar Egeu
Levando o patriotismo sempre conosco
Desbravamos as montanhas da ilha de quadriciclo e também em trilhas. Em cada montanha encontramos uma igreja ornamentando o cenário. A cada quilometro dávamos um suspiro de satisfação por estar ali, cheias de energia e muito bem acompanhadas, comemorando meus 49 anos. É um paraíso para voltar com meu maridão.
A energia só podia ser boa: por todo lado se encontra a casa de Deus
E não podia faltar as delicias da boa e saudável mesa grega, nosso café da manha de cada dia em Oia, de frente para a caldeira
Também indico passeios à praia de Perissa e às charmosas vilas de Imerovigli e Firostefani, onde ficamos hospedadas.
Uma grande recordação da bela Grécia pode ser clicada pelas mãos de uma boa fotógrafa, por exemplo na bela Vila de Oia ou no fundo do mar com um ensaio fotográfico. Fiquei fascinada pelas fotos subaquáticas, pena que só descobrimos no último dia que estávamos na ilha, Bianca Ramos pode te dar um bom suporte.
7.3.17
Entrevista para o portal Tamoios News
Divido com vocês a entrevista que fiz em São Sebastião para o jornalista Ricardo Hiar, do Tamoios News, portal de notícias do litoral norte de São Paulo. Foi uma honra poder contar um pouco da minha história, refazendo parte da minha trajetória de brasileira expatriada. A matéria foi publicada em fevereiro de 2017. Espero que curtam!
Há seis anos vivendo na Arábia, a sebastianense Valéria Ramos precisou aprender na prática sobre os padrões religiosos, culturais e sociais que imperam no país
Por Ricardo Hiar, de São Sebastião, para Tamoios News
Em pleno século XXI, com inúmeros avanços tecnológicos e a globalização, a mulher ganhou seu espaço e vem consolidando força em relação à igualdade de gênero. Mas se engana quem pensa que isso é uma realidade para as mulheres de todo o mundo. Há países onde a mulher não pode ser vista em público por outras pessoas, é proibida de trabalhar, dirigir, tampouco votar.
Exemplo disso é a Arábia Saudita, país muito conhecido pelas riquezas provenientes da produção do petróleo, mas onde a cultura machista impera e por questões, principalmente religiosas, a mulher tem um papel muito restrito e submissa ao homem.
Para as meninas que nascem em solo árabe, talvez esse não seja um problema sentido de forma incisiva, já que elas aprendem desde pequenas seu “papel”. Porém, o choque de realidades para quem cresce em outro país, como o Brasil, a adaptação não é fácil. É preciso mais do que paciência e disposição de aprender. Em alguns casos, é necessário se reinventar.
Nascida em São Sebastião, no Litoral Norte, Valéria de Souza Ramos, 49, foi sempre uma pessoa muito ativa. Filha de caiçaras, com um irmão e uma irmã, começou a trabalhar cedo, batalhou para estudar e concluir o ensino superior e correu atrás de seus objetivos. Mas após casar com um engenheiro belga, morar em países como Bélgica e Espanha, resolveu dar apoio o marido, que recebeu um convite para trabalhar na Arábia Saudita. “Foi uma proposta importante para ele, então apoiei para que ele aceitasse. Na época eu não tinha ideia do que viria pela frente”, completou.
Aliás, noção de como eram as coisas no mundo árabe, ela só teve quando estava lá efetivamente. Um fato curioso que ela conta é que num determinado dia, após seu marido aceitar o trabalho, o casal foi chamado para uma entrevista, junto com outros funcionários. “Eles nos reuniram para explicar como seria a vida por lá, principalmente com alertas para as mulheres. Mas foi falado tudo em francês e eu não entendia. Então no final eu estava meio que perdida, sem entender ao certo o que tinham dito, enquanto outras mulheres saíram chorando de lá”, disse.
As origens e o trabalho
Em meio a uma vida de oportunidades e desafios, Valéria não esquece suas origens, no litoral paulista. “Se estou onde estou hoje, foi graças a tudo o que vivi em São Sebastião. Minha família era de classe média baixa. Minha mãe trabalhava na cantina de um colégio, meu pai na balsa. Desde os dez anos eu não tinha recreio na escola, pois gostava de ajudar minha mãe nas vendas”.
Com 13 anos, ela foi auxiliar de dentista em São Sebastião e pouco tempo depois passou a guardar dinheiro para conseguir estudar no nível superior. Trabalhou no banco Bradesco, também numa copiadora. Aos 17 anos, começou a vender sanduíche natural na praia e nos verões, acordava as 3h para preparar os lanches que ofereceria ao público.
A jovem queria cursar odontologia, mas como não conseguiu aprovação no vestibular na primeira opção, resolveu cursar a segunda, que era psicologia e se matriculou na Universidade Brás Cubas, em Mogi das Cruzes. Trabalhava durante o dia e estudava a noite, para conseguir se manter no curso. Chegou a enfrentar a estrada diariamente e ir de moto de São Sebastião para Mogi, a fim de economizar, até que conseguiu alugar uma casinha na cidade.
Uma vez por mês buscava biquinis no Rio de Janeiro, para vender no litoral. Foi assim até se formar, quando voltou para São Sebastião. Na época passou no concurso como psicóloga e iniciou a carreira. Mas por uma inquietação que faz parte de sua natureza, resolveu buscar uma especialização fora do país. O local escolhido foi Londres, onde permaneceu por seis meses e fez estágio num projeto da rainha, que atendia pacientes latino americanos com DST/Aids.
A primeira experiência internacional já foi difícil. Foi um tempo desafiador e, longe da família, acabou ficando um pouco deprimida e resolveu voltar por um tempo ao Brasil. Mas na volta, durante um namoro acabou engravidando e precisou novamente mudar seus planos. Não voltaria mais a Londres. Passou a morar com os pais novamente e trabalhar na Prefeitura de São Sebastião como psicóloga.
Ela precisou se afastar por um tempo e, depois ao retornar à prefeitura, cuidando do filho, recomeçando a vida profissional, conheceu em aniversário de 33 anos um belga que mudaria sua trajetória. Em determinada situação, estava com outras seis amigas num estabelecimento de Ilhabela e ele e outros seis amigos na mesa ao lado. Era notório de que não eram brasileiros. Como o garçom teve dificuldades para traduzir o cardápio para eles, Valéria se ofereceu para ajudar. “Eu olhei para um deles, que também olhou para mim e houve algo diferente na hora”, conta.
A partir daí passaram a se conhecer melhor. “Apresentei a ele a Bossa Nova, a caipirinha e outras coisas boas do Brasil naquele mesmo dia. Quando nos despedimos, ele me deu um abraço, que parecia que nos conhecíamos há muito tempo. Já tinha alguma ligação e ali selamos nossas vidas”. Oito meses depois eles casaram. O filho de Valéria, Enzo, foi registrado pelo marido e a família começou a morar na Bélgica. Foram oito anos por lá.
“Do congelador para o deserto”
De acordo com Valéria, tanto na Bélgica, quando em Madrid – outra localidade que moraram, era possível ser ela mesmo, viver bem, ter liberdade, trabalhar. Mas o clima era mais frio e isso a deprimia um pouco. Então quando houve o convite de seu marido para ir para Arábia, poderia ser uma boa alternativa. “Queria ir para um lugar mais quente, mas não imaginava que tanto. Foi como sair do congelador para o deserto”, comentou. Na Arábia Saudita, as temperaturas no verão ultrapassam 50 graus e no inverno, ficam em pelo menos 30 graus.
Quando houve o curso para os casais que iriam mudar para lá, foram dadas as instruções. Entre as mudanças, foi informado de que as mulheres teriam que mudar as vestimentas, não poderiam trabalhar e nem dirigir. Foi alertado das diferenças, principalmente em relação à religião. “As principais diferenças da Arábia estão ligadas à religião”, comentou a brasileira, que diz respeitar várias denominações, mas não frequentar nenhuma.
O marido foi na frente para o novo país, de modo a preparar o local. “Sabíamos que iríamos morar num local muito lindo, mas também que não poderia sair de lá sem usar a abaya – tecido com o qual as mulheres não muçulmanas precisam cobrir a cabeça”, afirmou. Ela também foi orientada que não seria possível sair de casa sem o motorista. A maioria dos motoristas são indianos ou de outros países, que vão para o local em busca de melhores oportunidades de renda.
A diferença de fuso horário na Arábia seis horas a mais, comparado ao horário de Brasília. Eles não oferecem vistos a turistas. Para chegar lá São 14 horas de voo até o Qatar e depois mais uma hora para a Arábia.
Mulher não pode…
Entre as diversas proibições impostas para o público feminino em território Árabe, está o fato da mulher não poder dirigir. A justificativa dos homens é de que estão protegendo elas, já que o trânsito é caótico no país.
Eles alegam que a burca não as deixa enxergar direito, por isso é melhor não poderem dirigir. Além disso, não há respeito às leis de trânsito e o número de acidentes é grande. Um amigo de trabalho do marido da brasileira morreu num desses incidentes.
Como mulher não pode dirigir, as vezes tem crianças de 12 ou 13 anos que são colocados para conduzir veículos e levar as mães na realização de tarefas do dia a dia, como ir ao supermercado. “Não se respeitam leis de trânsito na Arábia. Talvez, por não terem outras oportunidades de extravasar, acabam fazendo loucuras no trânsito”, falou a sebastianense.
Nas lojas de roupas, só o homem tem direito ao provador. As mulheres não podem experimentar vestimentas no comércio. Tem que comprar, levar para casa. Se não servir, pode até devolver, mas experimentar na loja não pode.
Como dinheiro não é um problema por lá, há muitas lojas de grife internacional. Os homens costumam presentear as mulheres com muitas joias, que é uma forma de mostrar o poder do marido. As joias se sobressaem mesmo sobre as burcas.
A mulher normalmente anda atrás dos homens, assim como as crianças também. Elas não podem jamais inverter essa ordem.
Num restaurante, há ala de solteiros e a ala das famílias. O homem solteiro nunca pode olhar uma mulher árabe. “No restaurante, eles colocam um biombo ao redor de cada mesa, pois aí as mulheres vão tirar a burca para comer e não podem aparecer em público”, destacou.
Até mesmo os treinos em academias são separadas. Tem as femininas e as masculinas. Nas ruas, apesar de hoje estarem em menor escala, existem os “guardas religiosos”, que ficam espalhados para poder reprimir quem não está cumprindo os padrões de vestuário, por exemplo. “A mão, o braço, o cabelo, têm uma conotação erótica. Então precisa estar tudo tapado. Mas eles ficam de olho e as vezes orientam a cobrir a cabeça, por exemplo. Por isso, as mulheres estrangeiras precisam ter sempre na bolsa, pelo menos um xale”, explicou.
Ainda assim, Valéria Ramos é otimista. “Hoje elas até estão ficando um pouco mais espertas, a internet tem ajudado a conhecer outras culturas e aprender que existe algo a mais”.
Uma árabe entre expatriadas
O termo expatriada é utilizado para definir aquelas pessoas que vivem fora de seus países, na Arábia. Essas pessoas, assim como a família de Valéria, devem ficar no convívio de outros na mesma condição e não se misturarem com outros. A sebastianense diz que sempre sentiu muita dó de ver a forma que elas vivem, sob toda essa repressão.
Nesse contexto, ela lembra de uma situação em que chegou a correr riscos, para possibilitar que uma árabe participasse de um encontro em sua casa, com mulheres de várias parte do mundo.
Essa mulher árabe começou, sob influência de outras, a ter amigas de outras nacionalidades e resolveu estudar sozinha pela internet. Hoje, possui até uma escolinha de inglês para as crianças árabes na casa dela. Também ensinou as filhas, escondida do marido. Ele acabou percebendo, mas permitiu que ela se desenvolva.
Por ser árabe, ela não pode entrar no condomínio de expatriados. É feita uma inspeção rigorosa e pedido o documento de estrangeiro. Quem não tem é barrado já na entrada. “Um dia consegui a façanha de levar ela para um almoço na minha casa, como boa brasileira que sou. Percebi que ela tinha muita vontade de ir lá e ajudei”, comentou.
A psicóloga lembra que afirmou na portaria que estava trazendo uma amiga expatriada que estava sem documento. “A gente não usa nada na cabeça. Só um vestido longo preto, com algo pra cobrir a cabeça, conhecido como a abaya. Mas as muçulmanas têm um véu e a burca. Eu disse que ela teria que tirar e foi o que ela fez, mas ficou tremendo no carro. Dei a ela meu óculos de sol e conseguimos passar pelo bloqueio”, contou.
Quando chegou na casa, 22 mulheres fizeram uma recepção para ela. Ela sentou e disse que a sensação do homem olhando para ela e vendo o rosto, é como se estivesse pelada. Foi uma adrenalina que precisou passar.
Mas essas pequenas ações estão ajudando no desenvolvimento da árabe. Antes o marido dela viajava com outras mulheres para outros países, enquanto ela nunca tinha saído da Arábia Saudita. Isso mudou um pouco no ano passado, quando ela conseguiu fazer uma viagem para uma ilha árabe com toda a família. “Ela está devagar, conseguindo conquistar o espaço dela”, completou.
StandUp à moda Árabe
Numa certa ocasião, cansada dos palpites que recebia de outras expatriadas, em relação às roupas que estava usando nos condomínios – segundo ela nada fora dos limites estabelecidos – Valéria decidiu praticar Stand Up Paddle de burca. Ela vestiu a roupa, pegou a prancha e começou a remar.
O que ela não imaginava era que isso daria ainda mais o que falar. Isso porque quando avistaram uma pessoa toda coberta, chegando pela praia no condomínio, acharam que poderia se tratar de um ataque terrorista. A segurança foi acionada e gerou um corre corre, até que fosse identificado que se tratava de uma moradora.
Tempo de orar
Um fato diferenciado que ocorre na Arábia, é o chamado “prayer time”. São cinco ocasiões por dia em que tudo para no país de modo que a população faça suas preces, que duram cerca de 25 a 30 minutos. “Se você está num restaurante, vai ter que esperar. Eles param tudo o que estão fazendo, fecham os estabelecimentos e só voltam a funcionar depois. As lojas ficam abertas até meia noite. No verão, às 22h ainda tem sol. Mas o “prayer time” muda de acordo com o calendário solar.
“Como você compra uma lingerie com um homem te atendendo?”, questiona. Mas as mulheres também não têm espaço no mercado de trabalho.
A escola do filho de Valéria é mista, porque recebe alunos de pessoas de outros países. Mas os árabes, vão para escolas de meninos e meninas, separados. A mãe não pode falar com a professora se tiver algum problema. No hospital, os homens não podem falar com as mulheres, assim como as mulheres não podem falar com os funcionários homens.
O dia sagrado na Arábia é sexta, então sexta e sábado o país praticamente não funciona. Domingo é o primeiro dia da semana: as pessoas trabalham e estudam normalmente.
A internet favorece bastante a comunicação entre as pessoas e ampliou a luta das mulheres, mas ainda assim é limitada. Muitos sites não abrem e algumas redes sociais são bloqueadas.
Álcool zero
Nos países do oriente, não se encontra bebida alcoólica em supermercados. Aliás, não só no supermercado. Eles são super rigorosos com essa comercialização. Só consegue em outros países, em hotéis cinco estrelas. Portar ou produzir a cerveja e outras bebidas é crime.
“Quando a gente acha um vinho fora do Brasil, fica animado. Eles são caríssimos. Um vinho que costumo pagar por R$ 40, com eles foi pra U$ 200. Outra restrição na Arábia é a carne de porco. Quando chego no Brasil, eu já peço logo um Cheese-bacon para aproveitar”, afirmou em tom de brincadeira.
Em relação à bebidas alcóolicas, a psicóloga conta que já conheceu pessoas presas pela fabricação e comercialização das mesmas. Um australiano, conhecido da família, foi preso porque estava produzindo bebida. Ficou oito meses na cadeia, num espaço que é bem ruim no país, com um sistema punitivo. O erro da vítima foi, além da produção da bebida, servir para outros condôminos.
“Se te pegarem com uma receita ensinando como fazer bebida alcóolica, você já pode ser preso. Para entrar no país, pode demorar várias horas, pois é preciso passar por seis alfândegas”, completou.
Consciência ambiental ou falta dela
Por causa do petróleo, os árabes consomem muitos itens que são ruins para o meio ambiente e não têm noção de ecologia. A sacolinha do supermercado, por exemplo, parece de tecido de tão grossa que é. “Eles colocam uma caixa de fósforo nessa sacola, e é muito comum lançarem coisas pela janela, pois eles não têm cuidado algum com a preservação do meio”, contou a brasileira.
Brasil, o refúgio e o futuro
O Brasil, que um dia já foi morada de Valéria, hoje funciona como um refúgio duas vezes por ano. É o momento de conversar, de rever amigos, de andar com a roupa que quiser, de ser ela mesmo.
Segundo ela, hoje em dia é possível viajar para terras brasileiras duas vezes por ano, durante as férias. O casal construiu uma casa em Barequeçaba, que será a morada no futuro. “A ideia é ficar uns dois ou três anos na Arábia e depois mudar para o Brasil. Hoje meu marido fala que é mais brasileiro do que Belga”, comentou.
A ideia é vir e com a bagagem que tem, atuar no Brasil com projetos e outras ações, sem muito compromisso de tempo. “Uma das metas do meu marido é fazer uma viagem pela costa brasileira com o hidroavião que ele comprou. Queremos voltar e viver tranquilamente, para valer a pena todo o sacrifício no oriente”.
Apesar dos pesares, Valéria Souza Ramos diz que o “seu povo” tem motivos de sobra para comemorar. “Acho que nós brasileiros estamos passando por um momento tão difícil, mas temos que nos orgulhar da nossa personalidade e do nosso caráter. Nós conseguimos ser versáteis, se adaptar a outras culturas, se colocar no lugar do outro”, concluiu.
Por Ricardo Hiar, de São Sebastião, publicado em fevereiro de 2017, no portal Tamoio News.
19.1.17
Paella Valeriana
Apesar de participar de uma cooking class de paella valenciana na bela cidade de Valência, terra natal deste prato na costa lesta da Espanha, local onde nasceu a paella, hoje adoro elaborar a Paella Valeriana. De lá para cá fiz aproximadamente 50 paellas para amigos, família e apreciadores dessa especialidade espanhola.
A paella surgiu como alimento dos camponeses, nos séculos XV e XVI. Quando saíam para o trabalho rural, levavam arroz, azeite de oliva e sal, além de um recipiente para cozinhar: uma panela redonda com alças, ampla e rasa chamada de "paella". A origem desta verdadeira delícia está fortemente relacionada ao campo, por isso os ao prepará-la incorporavam à receita do prato os ingredientes que encontravam pelo campo, tais como, carne de caça, sobretudo de lebre e de pato, legumes da estação e açafrão, especiaria nobre retirada das flores e que dá ao arroz um sabor especial e o colorido amarelado tão característico. Passado algum tempo, a paella difundiu-se e alcançou todo o litoral valenciano.
A partir daí, acrescentou-se à receita os frutos do mar: camarões, lulas, vôngoles, mexilhões, lagostins e polvo, tornando-o um prato misto (terra e mar).
A origem da palavra paella vem do latim "patella", uma bandeja usada na antiga Roma destinada às oferendas aos deuses, nos rituais de fecundação da terra. Dizem também os historiadores que a palavra "paella" surgiu quando os trabalhadores rurais voltavam para seus lares nos finais de semana quando, em homenagem às suas esposas, preparavam essa deliciosa iguaria "para ellas" dando origem ao nome.
Na paella que preparo, geralmente uso os ingredientes convencionais. Às vezes, gosto de acrescentar algo diferente ou um temperozinho mais brasileiro, por isto a chamo de Paella Valeriana, por ser uma receita preparada a minha maneira.
Como vivo fora da minha terra natal e adoro receber amigos em nossa casa, adotei a paella como prato principal nas nossas reuniões quando estamos na pátria amada. É um prato muito apreciado pelo brasileiro e sempre faz muito sucesso nas minhas festas e reuniões familiares.
Nossa cozinha no Brasil, com a brisa do mar, perfeita para meus hobbies culinários
Minha assistente predileta: mãos para toda obra!
Meu companheiro de vida é cliente preferencial!
Prazer em cozinhar e em servir
Onde há Paella Valeriana, há bons amigos!
Esta foi em Madrid, cozinhei com muito carinho para meus pais que estavam lá nos visitando, olha a carinha de feliz e satisfeito, amei!
Labels:
Vida de expatriada
19.11.16
Viagem a Grécia: Rodes, a ilha do sol
Outubro é um mês de renascimento, de conquistas e de alegria para mim. É o mês do meu aniversário e para comemorar, nada melhor que uma bela viagem.
Entre um passeio e outro, uma parada para molhar a garganta com as delícias gregas. As cervejas Alga e Mythos foram as mais consumidas.
Pita é um churrasco grego encontrado em qualquer esquina. Na Arábia também existe o mesmo prato com o nome de Shoarma. Vindo de lá, onde é proibida a carne de porco, me deixei levar na pita de porco, que pode ser servida no prato ou enrolada em forma de sanduíche. Uma boa pedida para um lanche rápido por cerca 5 euros.
Para explorar as belas praias da ilha, você pode alugar um carro. Observei que o trânsito é viável e as rodovias são bem seguras. Também pode optar por ônibus, táxi ou barcos. Ao contrário das ilhas de Mykonos e Santorini, não vi muitas motos ou quadriciclos por lá.
Amei este cantinho, que fica a apenas cinco minutos da bela Lindos, mas senti falta das lentes fotográficas do maridão para registrar o maravilhoso azul desta água
Continuar lendo ››
O maridão não podia me acompanhar como sempre faz nas minhas viagens para celebrar a vida. Então aceitei o convite de uma amiga-irmã e me mandei para a Grécia. Foram duas semanas de puro prazer. É difícil resumir em apenas um post as emoções vividas em três ilhas e na capital Atenas. Vou começar apresentando um pouco da ilha do sol, Rodes.
Voei da Arábia, país em que vivo atualmente, para Atenas e de lá para Rodes, onde encontraria minha amiga que tinha saído do Brasil. Juntas iríamos visitar uma antiga amiga brasileira que vive em Rodes e aproveitar para conhecer suas belezas.
Optamos por fazer três ilhas e fechar nossa trip em Atenas, nos locomovendo de uma ilha para outra de barco. Compramos os tickets diretamente nas agências de cada ilha, pois de avião valia o triplo do preço. Um cruzeiro nos limitaria para conhecer e absorver a intensidade de cada povo, pois os navios ficam apenas algumas horas nas ilhas, sendo que cada ilha tem suas peculiaridades. Apenas com o convívio de pelo menos dois dias pode-se absorver um pouco da cultura de cada uma delas. Fiquei triste quando ouvi de uma amiga que ficou apenas 3 horas em Myconos, sem oportunidade de aproveitar as lindas praias e a badalada vida noturna de lá. Foi como sentir o aroma do vinho sem poder degustá-lo.
Se você chegar em Atenas, pode checar no aeroporto as informações sobre os ferries que partem do Porto de Pireu. Das duas companhias que utilizamos, Seajet e Blue Star 2, preferimos a Blue Star 2, que nos ofereceu um excelente serviço de bordo, com poltronas confortáveis, bons restaurantes e até cabines com carregadores de celular, como nos aeroportos.
Fiz esta foto do mercado velho e do forte desde uma janela do Palácio dos Grandes Mestres, na cidade medieval de Rodes
Rodes é a maior e mais imponente ilha do Dodecaneso, fascina pelas lindas praias de águas azul-turquesa, muitos vales, rochas e, claro, como em toda Grécia, muita história. Situada pertinho da Turquia, com 80 km de extensão, é conhecida como a cidade do sol e também pelo Colosso de Rodes, estátua que foi erguida entre 294 a 280 a.C. em homenagem a Hélios, o deus do sol da mitologia grega. Tinha cerca de 30 metros e 70 toneladas. Hoje existem somente duas colunas no porto de Mandraki, o que chega a decepcionar alguns turistas, mas favorece a que realmente se conheça a história do Colosso, que é bem interessante.
A antiga cidade da ilha, situada ao norte, cuja construção começou em 407 a.C., foi projetada pelo maior urbanista da antiguidade, Hipódamo de Mileto. Rodes logo tornou-se um dos centros marítimos e comerciais mais importantes no Mediterrâneo oriental. A parte medieval da cidade é a capital da ilha, Patrimônio Mundial da Unesco, chamada pelos gregos de Palea Poli. Você vai se sentir em um labirinto, rodeado de lojas e restaurantes, que resgata a atmosfera do Império Bizantino. Rodes recebe visitantes o ano inteiro porque a maior parte do ano tem um clima ensolarado.
Palácio do Grande Mestre
Além de curtir as águas do lindo e limpo Mar Egeu, também vale a pena mergulhar na cultura, através da história das civilizações passadas. Além disso, em contraste com o antigo, há uma vida noturna bem animada, com tabernas e bares que funcionam até tarde da noite. A cidade oferece apoio em turismo especializado para passeios de barco às ilhas vizinhas, mergulhos, caminhadas e muitas outras atividades. Você encontra assessoria rápida diretamente na rua da praia, no centro da cidade, onde os gregos puxam nossos braços para oferecer algo.
Com a simpática grega dona da Aromaterie Kos, onde compramos perfumes franceses maravilhosos com um toque especial grego
Apesar de ter me deparado com muitos garçons curtos e grossos, sem aquele chamego que só encontro no povo brasileiro, a dona desta loja e outros comerciantes me tiraram a má impressão da antipatia dos gregos.
Stin yamas! Tim tim!
Para explorar as belas praias da ilha, você pode alugar um carro. Observei que o trânsito é viável e as rodovias são bem seguras. Também pode optar por ônibus, táxi ou barcos. Ao contrário das ilhas de Mykonos e Santorini, não vi muitas motos ou quadriciclos por lá.
Aqui uma placa que você encontra nas praias, indicando o valor do táxis para cada lugar
Tivemos a sorte de estar hospedadas em casa de amigos locais, que nos transportaram para vários lugares da ilha. No segundo dia da viagem, seguimos para o sul, para conhecer a linda praia de Lindos. Esta praia nos surpreendeu com uma visão mágica de casinha brancas, contrastando com uma baía azul-turquesa. A paisagem é predominantemente montanhosa, o que acentua o destaque para a acrópole, que foi construída sobre uma rocha íngreme de 116 metros, com uma vista espetacular do mar. Vale a pena a caminhada.
Após a bela caminhada cultural, exploramos a aldeia, cheia de lojinhas, onde aproveitei para me presentear com um vestido típico grego, para usar no meu aniversario que se aproximava. E por que não, me sentir uma deusa nesta terra mitológica. A atmosfera estava perfeita e me remetia a um maravilhoso aniversário grego.
Praia de Lindos, em um dia de final de temporada de verão
Visitamos a acrópole em uma linda caminhada para conhecer o Castelo dos Cruzados, dentro da cidade dos dórios, pisando em ruas com mosaicos de pedrinhas, igrejas, lojinhas de artesanato locais, etc. Você também tem a opção de subir no cangote de um burrinho, e assim pode economizar seus suspiros para as lindas paisagens que encontra pelo caminho. Nossos amigos ficaram chocados pelo preço cobrado para visitar a acrópole (16 euros). Comentaram que há dois anos o valor era menos de 5 euros.
Dentro das muralhas, a reconstrução do templo de Atenas, túmulos bizantinos e a fortaleza
Gostamos tanto de Lindos que a visitamos por duas vezes nestes quatro dias. No primeiro dia fizemos uma visita mais rápida, guiada pelo marido da nossa amiga, que nós apresentou também a bela baía de Saint Paul, que tem um centro turístico para mergulho, dois restaurantes convidativos à beira d' água e a pequena capela de Saint Paul, onde o apóstolo Paulo rezou a primeira missa na Grécia.
Voltamos para a cidade desviando da rodovia para entrar nos pitorescos vilarejos, que me chamaram a atenção pela alegria e dinâmica do povo local. Vimos muitos gregos sentados em tabernas nas praças, tomando frapé, um tipo de café gelado, ou ouzo, a cachaça local, deixando suas mãos deslizarem pela mesa de um jogo parecido ao gamão, e com a boca vibrando em sons alegres. Esse cenário não apresentava sinais da crise da qual ouvíamos falar que se passava na Grécia. A personalidade do povo me lembrou muito aos brasileiros. Vivem o aqui e o agora, aproveitando do melhor que o lugar tem a oferecer, onde reinam o sol, a alegria e as belezas naturais.
Se você for a Rodes, não deixe de visitar as praias de Kamari, Faliraki e Pefkos. São muito bonitas e nos fizeram suspirar também.
Após 4 dias de lindos passeios numa ilha que nunca esteve em meus antigos planos, mas que muito me surpreendeu, nada melhor que um brinde em agradecimento aos nossos queridos anfitriões, Eva e Antonio. Deixamos a certeza de que este é um lugar para se voltar. Da próxima vez iremos com nossos digníssimos companheiros.
Para terminar, nada melhor que mergulhar nas águas cristalina de Lindos, sem esquecer das belezas das cores da nossa terra!
Pensando em ir a Grécia? Não deixe de consultar as dicas da Virna Lize, do blog Uma brasileira na Grécia. Ela pode oferecer uma assessoria fantástica com turismo e fotografias. Pena que só a encontramos no último dia em que estávamos por lá.
28.8.16
Bali, Indonésia: exuberante pela natureza e fé do seu povo
Já rodamos bastante por este mundão afora, mas nada igual à leveza que invadiu o meu ser em Bali.
Foi uma viagem inesquecível. Essa linda ilha na Indonésia me desligou do resto do mundo por uma semana. Foi sensacional! Precisarei de outro post para retratar todo o encanto de Bali. Neste apresentarei a cidade de Ubud, onde foi realizado o filme Comer, rezar, amar, com Julia Roberts, que retrata muito bem a espiritual e harmoniosa atmosfera desta cidade.
No
feriado de Eid na Arábia tivemos uma semana para relaxar longe das areias do
oriente. O Eid, também conhecido como Grande
Festa ou Festa do Sacrifício, é
um festival muçulmano que sucede a realização do hajj, a peregrinação a Meca. Então,
aproveitamos e lá fomos nós, sozinhos, porque o filhote ficou com amigos para
permitir uma semana de love para os papis.
Bali não é
só praias e ondas. Encontramos em seu interior a riqueza do povo hindu, com uma
simpatia indescritível e um comportamento acolhedor. Começamos pelo interior do
país, pela bela Ubud, situada entre os campos de arroz e a 35 km do aeroporto
internacional de Bali. Ubud tem uma população de cerca de 30 mil habitantes.
Porém, há muitas vilas, fazendas e plantações de arroz ao seu redor. Em
balinês, Ubud significa medicina. A cidade sempre foi conhecida como fonte de
ervas e plantas medicinais. No final do século XIX, Ubud se tornou a sede dos
senhores feudais que deviam sua lealdade ao rei de Gianyar e também se transformou
no mais poderoso dos estados do sul de Bali.
Assinar:
Postagens (Atom)











































