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15.7.14
Preparando-me para conhecer o mundo (3)
Foi depois da minha grande conquista, por tantos anos de batalhas e trabalhos para me formar na universidade de psicologia comportamental, que decidi que iria para Londres.
Na verdade, nunca tive muito interesse por intercâmbios, ou por morar em outro país, mas me lembro bem de estar sempre atenta aos outros idiomas. Desde pequenina, me chamava a atenção ouvir um gringo falando , na minha cidade natal, há um porto importante e vários gringos chegavam de navio. Talvez, o que me tenha levado a ir para Londres tenha sido o fato de ter um amigo que vivia por lá.
Quando menos me dei conta, após o término da faculdade, agilizei uma licença de trabalho, fiz alguns contatos com amigos que já estavam em Londres e lá fui eu, rumo ao desconhecido. Talvez também me sentisse limitada numa cidade pequena, onde os serviços públicos eram superconcorridos, onde só conseguiam os cargos os amigos de políticos . Não me agradava em nada trabalhar de acordo com o que eles queriam, e não de acordo com os princípios, valores e éticas que tinha aprendido em meu curso de psicologia, cujo título foi tão batalhado.
No fundo acho que toda esta descoberta e decepção com o sistema político da minha cidade e do meu país, serviu de ponte para eu conhecer outras culturas e descobrir o meu potencial como profissional e como ser humano.
Também me levou a ter a coragem de vender meu único bem, um carro, e a atravessar o Atlântico pela primeira vez, rumo ao desconhecido, rumo ao novo, rumo à nova etapa de vida desta caiçara, que com muita dor no coração, deixou sua linda pátria e sua amada família.
No próximo post, contarei mais sobre estas minhas descobertas e minhas experiencias em Londres, após a primeira despedida da terrinha amada.
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24.6.13
10 anos atrás, nosso enlace
Celebrei 10 anos de casamento em maio. Nosso casamento foi na Bélgica, dia 30 de maio 2003 e foi celebrado pelo prefeito.
Depois de muita papelada e burocracias, pudemos relaxar e casar legalmente no país do meu companheiro de vida.
Tivemos problemas com a documentação. Faltava um carimbo em algum papel do grande dossier exigido pelo governo belga, mas já tínhamos a data do casamento agendada, o buffet encomendado e tudo organizado para o dia 3 de maio. Somente uma semana antes a prefeitura nos comunicou que ainda não poderíamos nos casar.
Quanta dificuldade para poder ver todos os dias um par de lindos olhos azuis!
Finalmente decidimos casar por encenação no dia 3, curtindo a festa e todo o cerimonial de fotografias e outros, mas o casamento oficial foi realizado apenas no dia 30, quando o tal do carimbo já estava estampado na papelada belga.
Meu marido sempre comenta que casou no dia 33 de maio, pois o primeiro foi dia 3 e o segundo, real, no dia 30. Sem contar que fomos ao Brasil em julho, com toda a família belga e fizemos ali uma cerimonia junto a minha família e amigos, no dia 18 de julho 2003.
Como se nota, casei 3 vezes no mesmo ano, mas com o mesmo homem. Meu companheiro de vida.
Compartilho com vocês algumas imagens deste dia.
O prefeito da cidade de Melle realizando a cerimônia
A única tristeza foi não ter meus familiares por perto na cerimônia, mas dois anos depois, eles nos visitaram na Bélgica.
Claro que sim, superfelizes por nos encontrarmos nesta vida!
Finalmente!
Nosso presente, já presente
Conferindo os papéis.
De acordo com a tradição, indo me buscar com o bouquet escolhido em nosso primeiro lar.
Na casa dos sogros — Citröen dos anos 40
Família belga
Família do marido, sentia muito pela ausência da minha.
Amigos do coração, made in Brasil x Alemanha: amei a presença!
Meu tesouro, com 2 anos e meio.
Amigas latinas na festa.
Sempre com belgium beers, presente da vizinha querida.
Deus abençoe e proteja nossos caminhos sempre!
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22.5.13
Preparando-me para conhecer o mundo (2)
Uma semana antes de completar 18 anos, me organizei para ir estudar em outra cidade, onde outras amigas também estudavam, e que estava apenas a 150 km de distância da minha terra natal. Fui morar numa república, como chamávamos na época, era uma casa onde viviam vários estudantes. Morava com mais cinco amigas, num espaço muito pequeno, uma quitinete. Todas trabalhávamos durante o dia e estudávamos à noite. Espalhávamos nossos colchões no chão à noite para descansar o corpo moído pela batalha diária. Fazia um curso técnico de secretariado, trabalhava numa construtora e, nas horas vagas, descia uma avenida grande na contramão pedalando minha bicicleta Ceci, com uma cestinha cheia de sanduíches naturais para vender no CTA, um grande órgão da Aeronáutica. Uma amiga que trabalhava por lá foi quem me indicou. Seus amigos esperavam meu delicioso sanduíche, muito bem feito com amor e muita fé, pois eles rendiam o valor da passagem de ônibus para visitar minha mãe no fim de semana.
Antes de subir à serra para iniciar minha independência, fui “Garota Bradesco”, ou seja, uma recepcionista do banco. Também trabalhei como secretária de uma construtora e atendente de uma loja de fotocópias, onde revelava cópias heliográficas para os arquitetos e engenheiros da minha cidade. Estas cópias renderam alguns namoros, além de algumas intoxicações pela amônia, a substância usada no processo de revelação das cópias. Acho que ficávamos doidonas respirando aquele cheiro todos os dias.
Fui vendedora de biquínis por cerca de 10 anos. Viajava para o Rio de Janeiro todo os meses para comprar os biquínis mais transados da época. Tinha uma moto XL 125 e rodava os 100 km de praia de São Sebastião, minha querida cidade, para vender a domicílio os biquínis e sungas que eram desfilados nas lindas praias da nossa cidade. Tinha ótimos e fieis clientes. Fui também vendedora de sanduíches naturais na praia. Fazia isto com uma amiga querida e batalhadora. Acordávamos às 5 da matina para preparar os sanduíches bem saudáveis para vender nas praias mais animadas da redondeza. Carregávamos a caixa de isopor cheia de saladas de frutas e uma cesta completa com os sanduíches. Em dias de agito, vendíamos tudo rapidinho, assim nos sobrava tempo para dar bons mergulhos, jogar uma partida de vôlei e bater papo com os amigos. Mas em dia de marasmo, sofríamos para poder vender ao menos uma quantidade que pagasse nossos gastos.
Que vidinha dura! Ralamos muito embaixo do sol quente, mas fico feliz ao lembrar que minha matrícula na faculdade foi paga com o dindin de um bom trabalho de vendas durante o carnaval. Perdi os bailes e as escolas de samba, mas garanti meu lugar ao sol na Universidade Brás Cubas. Trabalhei também como contato publicitário, vendendo espaços numa revista regional. Certamente devo ter feito mais atividades até conseguir entrar na faculdade de psicologia. Também tive que trabalhar durante o dia para pagar a universidade à noite. Trabalhava como promotora de vendas do único hotel executivo da cidade de Mogi das Cruzes.
Só com lembrar de tudo isso já fico cansada, mas naquele tempo não sabia o que era cansaço. Tinha a garra e a gana de chegar lá... Mas “lá” aonde? Talvez chegar até aqui, onde me encontro hoje. Este lugar em que, por ironia do destino, não posso trabalhar. Na Arábia Saudita as mulheres não têm este direito. Aliás, não tem direito a trabalhar, não podem dirigir e muitas outras coisas mais. Mas isto já é outra história, para contar em outros post!
Tenho poucas fotos das minhas
batalhas profissionais. Esta foi num evento onde promovia uma loja de motos.
Sempre que aparecia oportunidade, trabalhava como promoter. Fazia tudo para
entrar um troquinho na bolsa da sobrevivência.
Participava
também em alguns eventos solidários, como por exemplo, desfilar para as lojas da
cidade, em benefício de alguma instituição. Tinha um bom corpo e uma
personalidade desinibida, por isso era muito solicitada para a passarela.
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14.2.13
Preparando-me para conhecer o mundo (1)
As coisas sempre acontecem de maneira repentina em minha vida. Nunca menciono que foram “do nada”, pois acredito que “nada acontece por acaso”.
Recordo-me de ter iniciado os estudos budistas ainda quando era jovem. Acreditava na lei de causa e efeito. Isto me levava a crer que um dia iria encontrar muitas coisas boas por meu caminho, me reconhecia como uma boa pessoa: solidária e prestativa com todos. Sonhava em ter uma formação profissional que me favorecesse o contato com o ser humano. Queria ser dentista, talvez por ter trabalhado como assistente odontológica em meu primeiro trabalho oficial, ainda na adolescência. No final acabei indo cursar Psicologia, profissão que exerci por muitos anos com muito amor, antes de atravessar o Atlântico para viver com meu marido em outro país.
Minha infância foi marcada por momentos tristes e desanimadores por causa de algumas dificuldades familiares. Minha mãe, com muita força e coragem, enfrentou a situação e nos ensinou a ir à luta, mesmo que isto nos tenha custado pular uma fase da vida.
Não me lembro das brincadeiras com bonecas, de escutar um conto lido por meu pai ou de me reunir com amigas para brincar como realmente brincavam as crianças. Mas lembro-me de estar atrás de um balcão, numa cantina de escola, a mesma que eu estudava, e de vender bolos, salgadinhos e lanches deliciosos feitos por minha mãe e minha tia. Juntas elas tiveram por 15 anos a cantina desta escola.
Minhas amigas de classe combinavam na aula as brincadeiras para a hora do recreio, mas eu nunca podia participar, pois tinha que trabalhar para ajudar minha mãezinha querida. Foi com este trabalho que ela conquistou sua tão sonhada casa, nosso lar, com muito sacrifício nesta empreitada.
Orgulhava-me disto, mas no fundo também havia um pouco de tristeza, porque me sentia inferior quando escutava as amigas comentando sobre as riquezas de seu dia-a-dia. Não cultivei este sentimento por muito tempo em meu coração, decidi deixar a vida me levar. Deixei as coisas acontecerem naturalmente, pois no fundo sabia que iria chegar a algum lugar, que aquele tempo duro logo se transformaria e me traria mais contentamento.
Entre o trabalho na cantina, os estudos e os esportes que sempre gostei de fazer, resolvi encontrar uma maneira de me permitir usar roupas mais bonitas, fazer passeios e tomar o sorvete no fim de semana, coisas que minha família, no árduo trabalho para a sobrevivência, não me podia permitir.
Comecei a juntar jornais velhos e caixas de ovos para vender aos feirantes da minha cidade: naquela época, não se usavam sacos plásticos e a feira era na rua da nossa casa. Passava a semana visitando os vizinhos para pedir os jornais e as caixas de ovos vazias. Na sexta acordava às 5 da manhã para levá-los aos feirantes que me pagavam com moedas que me faziam sonhar com o sorvete de domingo.
Não demorou muito tempo e um dos feirantes me ofereceu trabalho em sua barraca. Lá fui eu vender frutas e legumes. Minha mãe no fundo não gostava daquela situação, mas sabia que aquilo me fazia bem, então me deixou trabalhar algumas horas com os feirantes, mas logo tinha que voltar para casa para ajudá-la e estudar.
Foi neste meio de trabalho que também ofereceram um carrinho de churros para minha mãe e ela resolveu colocá-lo na porta de nossa casa para a venda de churros. Na nossa rua passavam os estudantes depois da escola, e ali meus colegas de classe me encontravam também, ajudando minha mãe a vender seus deliciosos churros e a engrossar a verba da família.
O tempo foi passando, meu pai chegava em casa bêbado a cada mês que terminava, com o bolso vazio. Ele não era de todo ruim, pois dividia a maior parte de seu salário com minha mãe para os custos da família, mas o que sobrava ele gastava com a bebida. Bebia tudo no buraco da onça, um bar popular em nossa cidade, e com certeza pagava também as branquinhas para seus amigos. O dia que seu time de futebol de coração perdia, ele quebrava a televisão ou o rádio. Lembro-me disso ter acontecido várias vezes... E minha mãe tinha que trabalhar ainda mais para comprar uma nova e repor a quebrada, ao menos para se permitir o prazer de assistir a novela das oito.
Com 14 anos comentei com minha mãe que gostaria de ter um trabalho mais digno, queria ser secretária, trabalhar num banco ou algo assim, foi então que meu pai conversou com um amigo dentista e me conseguiu um trabalho de auxiliar odontológica. Trabalhei por dois anos e meio neste consultório, recebendo menos que um salario mínimo, sem carteira assinada, porque era menor de idade. Trabalhava à tarde e estudava pela manhã. Coitadinha da minha de mãe, precisou encontrar outra ajudante, já que meu irmão tinha vergonha de ajudá-la na cantina, mas ela conseguiu com minha tia e alguns primos se virar bem sem minha ajuda. E me fez feliz porque pude conhecer outros trabalhos e pessoas, e assim amadureci para a vida que me chamava.
Por ser muito batalhadora e correr atrás para ajudar minha família e a mim mesma, era muito perseguida por meu pai e meu irmão, que não entendiam minha audácia de ir à luta, de querer conhecer mais, de querer participar mais na sociedade, de ir à festas, fazer viagens, enfim, de querer descobrir o mundo. Nesta fase me senti muito repreendida por eles. Decidi que quando fizesse 18 anos sairia de casa e buscaria meu lugar ao sol, longe das rédeas familiares.
Este período foi um pouco conturbado, me fez amadurecer e acreditar em meus sonhos. Criei forças para conquistar uma graduação escolar e também para apagar de minha mente a frase que um dia escutei da minha mãe: “filho de pobre não faz faculdade”. Ainda bem que, ao menos para mim, não foi verdade.
Tudo isto foi muito importante para me dar um empurrão para a vida fora da minha cidade, que era muito pequena e não oferecia bons cursos ou trabalhos para os jovens. Talvez se tivesse conseguido tudo com facilidade, teria estacionado por lá até hoje. Não teria descoberto tanta coisa que me transformou, que lapidou minha personalidade e que me fez ser mais interessada por outras culturas, outros idiomas e muitas coisas mais que me levaram até onde estou hoje.
Você aos pouquinhos, de post em post, descobrirá um pouco destas passagens da minha história.
Este período foi um pouco conturbado, me fez amadurecer e acreditar em meus sonhos. Criei forças para conquistar uma graduação escolar e também para apagar de minha mente a frase que um dia escutei da minha mãe: “filho de pobre não faz faculdade”. Ainda bem que, ao menos para mim, não foi verdade.
Tudo isto foi muito importante para me dar um empurrão para a vida fora da minha cidade, que era muito pequena e não oferecia bons cursos ou trabalhos para os jovens. Talvez se tivesse conseguido tudo com facilidade, teria estacionado por lá até hoje. Não teria descoberto tanta coisa que me transformou, que lapidou minha personalidade e que me fez ser mais interessada por outras culturas, outros idiomas e muitas coisas mais que me levaram até onde estou hoje.
Você aos pouquinhos, de post em post, descobrirá um pouco destas passagens da minha história.
Esta é uma das poucas fotos que tenho da minha adolescência. Naquele tempo minha família não tinha máquina fotográfica. Esperávamos um fotógrafo da capital passar para fazer fotos e registrar algumas famílias. Esta foi tirada para a carteirinha do grupo escolar. Na época, detestava meu cabelo curto, e sofri muito bullying com ele, hoje em dia tenho cabelo longo e lindo, que cuido com muito carinho
Esta foi uma das medalhas que conquistei na equipe de natação do município, mas a minha maior medalha foi ter conquistado o direito de treinar no clube onde só entravam os filhos dos funcionários da Petrobras. Ultrapassei mais um preconceito, pois era filha de um funcionário público. Batalhei e consegui com muitos treinos uma carteirinha de sócia-atleta do Tebar Praia Clube. Sinto orgulho por ter cooperado com algumas medalhas não só na natação, mas no voleibol e no tênis também, no clube da minha cidade.
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22.2.12
Aulas de culinaria
O fascínio pela culinária me acompanha desde meus 8 anos, quando acompanhava minha mãe na cozinha.
Minha batalhadora mama, junto com minha falecida tia, tinham uma cantina de escola. Além de ajudá-las a fazer as deliciosas guloseimas, bolos, pasteis e tortas que nutriam o lanche da molecada no intervalo da escola, eu também trabalhava na cantina. Ajudava a vender os produtos e não me lembro de ter tido na fase escolar um recreio completo. Estava sempre a servir meus colegas, professores e a criançada que nos deixava louca para comprar um pedaço de bolo de cenoura com chocolate, um farto pedaço de torta de coco, um cachorro-quente com molho de tomates fresquinhos acompanhados pelo famoso guaraná e a Fanta Uva, bebidas que refrescavam a garotada.
Deixando esta nostálgica época escolar de lado, retorno a cozinha da minha mama. Ai que cheirinho gostoso exalava! Quando ela preparava o peixe fresquinho que meu pai trazia de sua pescaria de cada dia. A sirizada carregava o ar de um odor adorável de mar e coentro que me persegue até hoje.
Já me arrisquei, aqui do outro lado daquele mundinho em que vivi felizmente com meus pais, a tentar sentir o mesmo cheiro, comprando siris do Golfo Pérsico e os refogando com muito coentro. Até que não ficou mal minha sirizada, foi bem degustado por muitos que a adoraram, mas ainda faltou aquele toque especial que só sabe dar minha querida mama Laurita.
Sempre saudadosa da nossa culinária, dos nossos condimentos e pratos típicos, por onde passo organizo e participo de aulas de culinária. Às vezes somente organizo encontros para degustação.
Procuro sempre deixar um pouquinho da nossa cultura em todo país por onde vivo. Me encanta esta troca de culturas.
Na Bélgica organizei classes num clube de culinária só para homens. Foi umas das experiências mais bizarras que tive com este tipo de evento. Em nosso país os homens não têm o hábito de ir para cozinha, embora este comportamento já esteja mudando ultimamente.
Amei ser observada com disciplina e interesse por 30 homens que não falavam meu idioma e que tinham interesse em saborear nossos pratos típicos, em aguçar o paladar para algo que nos fazia ultrapassar os clichês e ser mais do que futebol, mulheres de bundas bonitas e samba.
Neste dia, depois de começar o curso com a preparação do nosso aperitivo predileto, a caipirinha, degustaram e respeitaram o simples, mas agradável sabor da nossa culinária.
Além de vários encontros, não só com alunos homens, participei também de um livro de culinária editado na cidade em que morávamos, com uma receita de camarão na moranga, típico da região em que nasci, no litoral norte paulista.
Na Espanha, levei nossa culinária ao encontro multicultural da escola internacional do meu filho. Junto a outros brasileiros, apresentamos nossa deliciosa picanha, foi a barraca mais frequentada da festa.
Participei de um curso da cozinha tailandesa, com uma turma de amigas muito lindas e agradáveis.
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31.10.11
Esportes!
Aos longos destes 4.4 anos de vida sinto-me feliz por ter tido a oportunidade de nascer numa família que adora esportes. Recordo-me que desde criança ia para os jogos de futebol do time que meu pai dirigia e no qual meu irmão jogava. Aos 8 anos comecei na natação. Fui atleta federada e representava minha cidade em campeonatos na capital. Treinava no clube da Petrobras de São Sebastião, o Tebar, e por lá passei minha juventude.
Aos 13 iniciei no Volleybol, conciliando os treinos dos dois esportes e a escola. Me destaquei e era conhecida como Lela paralela. Tinha braços longos e estatura esguia para minha faixa etária, isso me permitia cravar nos 3 e na paralela da quadra. Que época maravilhosa e saudável.
Aos 13 iniciei no Volleybol, conciliando os treinos dos dois esportes e a escola. Me destaquei e era conhecida como Lela paralela. Tinha braços longos e estatura esguia para minha faixa etária, isso me permitia cravar nos 3 e na paralela da quadra. Que época maravilhosa e saudável.
Com o decorrer do tempo, tive que assumir mais profundamente os estudos e a batalha para poder pagá-los, já que precisei trabalhar desde muito jovem. Assim me fui afastando dos treinos, mas nunca por completo. Sempre que tinha oportunidade jogava nos torneios de praia, aos fins de semana e depois do curso universitário ingressei no time veterano da minha cidade. Talvez precocemente, mas era lá que me sentia a vontade para me soltar em quadra e relaxar a mente, sempre cansada com a batalha do dia-a-dia dos estudos e do trabalho.
O frescobol foi, e ainda, é um esporte alternativo que adoro, uma atividade que não me exige treino e só me traz contentamento e dor no bumbum, resultado dos agachamentos necessários para se ter uma boa sintonia com o parceiro e a bola. Também me permite pegar um bronzeado em dia de sol.
Em conjunto com o frescobol, me liguei ao surf. Graças a uma amiga querida, Regina Santos, a Nininha, pioneira do bodyboard em nossa cidade São Sebastião. Treinávamos muito nas ondas de Guaecá e Maresias. Fomos patrocinadas por grandes empresas de surfwears, participamos de campeonatos em outros estados, principalmente no sul do país, e mantínhamos nosso corpo saudável e elegante, com muito prazer.
Para minha formação de psicóloga do esporte, ingressei no mergulho livre. Necessitava conhecê-lo melhor para entender as fobias e pânicos que o atleta pode vivenciar embaixo da água. Foi um esporte inesquecível, uma experiência única que realizava na Ilhabela, hoje em dia famosa por esporte náuticos. Com o início da carreira profissional não sobrou mais tempo para desfrutar do esporte que ainda pretendo reativar em minha vida.
Casando-me com um marido esportista e naturalista, não podia deixar de lado a prática esportiva, apesar dos esportes preferidos de meu amado serem bem diferentes dos de meu agrado, mas lá fui eu ter contato com o ar, tirar os pés do chão e voar de paraglider. Fiz o curso com um instrutor muito competente e decolei pela primeira vez no Morro do Guaecá, a praia onde década atrás eu deslizava nas ondas, fui experimentá-lo do alto. Foi mágico, e me deu uma sensação de inteireza e capacidade, mas não era o que eu levaria pela frente como esporte. Acompanhei meu marido que se tornou atleta fiel ao voo livre. Estivemos em montanhas gigantescas na França, Alemanha, Suiça e até mesmo no Brasil, mas o acompanhei apenas com minha máquina fotográfica, registrando os momentos de prazer e contemplação do meu marido que é apaixonado por este esporte.
Como na Bélgica, onde vivemos por 8 anos, não existe montanhas que favoreçam a prática do esporte, a maior acho que tem 300 metros e deixa a desejar para os gliders, esta atividade foi diminuindo em nossa rotina, dando vez então ao novo esporte que se tornou um hobby, o ciclismo.
Joris com seus interesses por ecologia e tecnologia, encontrou algo que satisfazia seu desejo de estar ativo e preservar a natureza. Encontrou em uma exposição na Alemanha o Velomobiel, uma bicicleta bem diferente, com 3 rodas e uma cabine, que permite pedalar sem se molhar na chuva e nos dias branquinhos de neve do inverno. Ele comprou uma e a adaptou com acessórios técnicos, como GPS, luzes, buzina... Enfim, parecia um carro, mas com funcionamento mecânico, dependendo só das nossas pernas para ganhar vida.
Foi então que começamos a fazer viagens de bicicleta. Fomos da Bélgica a Holanda, França e quase chegamos a Espanha. Como estes percursos dependem de tempo, ficamos limitados aos dias de férias e deixamos em nossos planos, terminar a viagem a Santiago de Compostela. Um dias desses ela sai.
Meu recorde foram 800 km numa semana com o velomobiel. Mas meu querido esportista Joris pedalava 75 km diários para ir ao trabalho, com isto fez 12.000 km, antes de vendê-lo tristemente quando nos mudamos para Espanha. Madrid é uma cidade que não possuí ciclovias e representava um risco para sua vida manter o hábito de ir ao trabalho de bicicleta como fazia na Bélgica.
Para não nos despedirmos de vez da prática ciclista, adquirimos um triker, que trouxemos para a Sandlândia na mudança, mas ele não foi bem recebido aqui por nossos seguranças e tivemos que enviá-lo para o Brasil.
Com minha preocupação e dor no coração, Joris pedala por nossa cidade sem ciclovias, mas somos felizes por perceber que o povo brasileiro começa a reconhecer a importância e o valor deste meio transporte. Sigo aqui acreditando que uma hora dessas as ciclovias seram implantadas por todos os lados do nosso lindo Brasil.
Joris, apesar de trabalhar com petróleo, afirma que o velomobiel, tal como as bicicletas, serão o transporte do futuro. O pretinho poderoso está com seus anos contados.
Agora que vivemos em Sandlândia, país onde a mulher tem menos ou quase nenhuma liberdade de expressão, não posso ir para a rua de bicicleta com roupa esportiva, não posso sair para dar uma corridinha no parque, a não ser que o faça com a abaya (tipo burka), que só vai me permitir uns bons tombos. Então resolvi praticar no condomínio onde moramos, onde posso andar à vontade, com roupas mais adequadas para este calor danado que sempre faz, o SUP Stand up. Trata-se de uma prancha de surf grande que te leva onde você quiser desde que tenha um pouco de força nos braços e equilíbrio. Estou adorando o novo esporte e treinando para nas férias de julho no Brasil remar com uns amigos caiçaras do canal de São Sebastião até a Ilhabela, cerca de 12 km, ida e volta. Será mais uma aventura para contar aos meus netinhos. Pelo jeito meu maridão aventureiro também, porém não tão radical, já que irá nos acompanhar nadando. Ele tem este objetivo há tempos. Vamos deixar rolar e aguardar as férias para desfrutar.
Atualmente remo na prainha do condomínio e jogo volley com os amigos de trabalho do Joris. Apesar de ser a única mulher, me sinto orgulhosa por ainda poder soltar uma paralela de vez em quando...
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23.5.11
Psicologia Transpessoal
É uma corrente da psicologia que considera o ser humano como
um todo. Pierre Weill é um psicólogo francês que divulgou esta linha no mundo.
Gosto muito dos seus livros.
Participei de um grupo de formação na Universidade Holística
da Paz, no Brasil. Foram encontros em São José dos Campos com profissionais de
todas as áreas: saúde, educação e ciências. Superinteressante, pois a linha
transpessoal integra a ciência, a psicologia e a alma.
Acho que todo ser humano deveria vivenciar os seminários deste
pensador oferecidos pela Unipaz, saímos de lá com a sensação de plenitude e
harmonia com o universo.
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22.2.11
Ensaios
Sentei para escrever com uma ansiedade de acabar, ou ao menos tentar realizar, algumas das tarefas que minha querida orientadora solicitou.
Não quero ficar de lero-lero. Preciso estar convicta de que faço o máximo para ter uma boa disciplina nesta nova etapa, mas a verdade é que em pleno movimento de idas e vindas, das viagens com o marido, dos retornos aos deveres do lar, do empenho para acompanhar melhor o filho e de tantas outras tarefas do curso de inglês, acabei atrasando minhas solicitadas tarefas de escrita.
Pois bem, concluí parte dos meus deveres num caderninho de anotações, mas minha esgarranchada caligrafia dificulta a compreensão. Agora me resta passar a noite adentro teclando e expressando minha experiência e aventuras em Istambul.
Há tantas outras coisas que desejo ainda relatar. Tenho vários episódios interessantes na cabeça, de passagens que gostaria de contar com mais detalhes.
Árduo será o trabalho de separá-las e de apresentá-las sem minhas confusões mentais...
Opa! Espera aí... Não quero censuras. Vou relaxar, deixar fluir, liberar a mente, a energia e o desejo de dividir com outros estas passagens tão gostosas da minha vida.
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18.5.10
Festas beneficentes
Adoro festas e também gosto muito de organizá-las. Muitos amigos me dizem que deveria fazê-las de forma profissional. Sim, poderia ser, quem sabe um dia…
Como já contei em outro post, em 2006 organizei uma festa beneficente para mais de 300 pessoas no hospital psiquiátrico em que trabalhava na Bélgica. O tema era “brasileiros na Bélgica”. O dinheiro arrecadado foi doado para uma instituição de São Sebastião, minha cidade natal, em São Paulo.
Neste dia também comemorei meus 40 anos. Foi uma linda festa, com direito a caipirinha, salgadinhos típicos do Brasil, camarão na moranga e um espetáculo com mulatas e música brasileira. Foi um sucesso e se podia ver a alegria nas carinhas e nos pés dos belgas que ensaiavam com as mulatas alguns passos de samba.
Realmente nossa cultura é muito bem-vinda para os europeus.
Podemos aprender muito com eles, mas também podemos transmitir muito sobre nossas riquezas culturais.
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14.4.10
Dias infinitos
Esta é minha irmã de alma, a querida amiga Denise Marici
Oltramari Tasca. Quando a conheci, ainda não tinha adquirido o sobrenome Tasca.
Era uma mocinha meiga, com olhar de quem tinha o mundo a conquistar, e o
conquistou.
Denise é uma daquelas parceiras que gostaria ter ao meu lado
ao menos uma vez ao dia. Que delícia é poder escutar seus comentários, suas sábias
palavras, suas histórias e seus sonhos.
Ela veio do sul do Brasil para São Paulo, com o sonho de
tornar-se doutora em direito. Nesta época nos conhecemos. Deu duro, ralou, dividiu
ovo frito comigo, morou em pensionato, sentiu a ausência da família, conquistou
corações, mas se apaixonou mesmo pela meta de “vencer na vida”.
Com muita luta conclui a universidade e retornou a seu ninho
no Paraná. Deixou, e ainda deixa, saudades. Reconquistou seu espaço, tornou-se
mãe e profossional, mas nunca deixou de ser amiga.
Reencontrei esta amada amiga apenas uma vez, depois de nosso
período universitário. Ela me visitou com sua linda irmã em São Sebastião. Nosso
grande e especial reencontro foi na França em 2009, quando pela primeira vez ela
me deu o prazer de ser sua companheira de viagem pela Europa. Nossa viagem foi
só alegria. França, Holanda, Bélgica e Suécia foram pequenas para nossa grande
sede de viver e explorar outras culturas. Até no dia mais triste encontrávamos
motivos para rir
São tantas experiencias ricas e agradáveis que vivemos
juntas, que um dia voltarei aqui para contá-las. Que saudades amiga. Sua
energia e sinceridade me fazem evoluir em todos os sentidos. Você é, e será
sempre, minha irmãzinha querida e esperada.
Apareça quando quiser, já sonho com nossas aventuras...
No blog da amiga Denise, há várias fotos e histórias da sua
visita a minha casa em 2009.
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10.2.10
Normandia & Bretanha
Em 2003 me casei e nossa lua de mel foi na costa norte francesa. É uma região muito bonita e conheci várias cidades próximas.
Em Mont Saint-Michel realizamos nosso casamento espiritual. A luz divina nos abençoou e invadiu nossos corações pelos vitrais da capela do monastério. Jamais esquecerei aquela luz, é a luz que ilumina nosso relacionamento desde o início. Já conhecíamos as diferenças e as dificuldades que geram os conflitos entre as culturas, mas estas diferenças lapidadas com amor e iluminadas pela bênção do Senhor, se transformam numa abençoada e divina união de amor.
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