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3.6.13
Grupo de culinária
Meu envolvimento com a culinária vem desde minha infância. Ajudava minha mãe a preparar tortas, salgados, bolos e muitas guloseimas para a cantina da escola em que estudava e da qual minha mãe era proprietária. Ela fazia também bolos para os maiores casamentos da nossa cidade. Era muito requisitada e até hoje todos lembram de suas delícias.
Há 10 anos, no começo da minha vida na Europa, depois das fases de descobertas gourmets belgas, comecei a sentir falta da comida caseira brasileira. Foi então que resolvi organizar encontros com amigas brasileiras que viviam por lá também, para degustarmos nossos pratos típicos.
Geralmente cada uma participava com um prato de sua região no Brasil. Fazíamos um encontro com um almoço sortido das nossas maravilhas culinárias.
Todas elogiavam minhas receitas, e sempre me pediam para ensiná-las. A partir daí, convidei uma amiga para dar aulas de culinária brasileira junto comigo. Divulgávamos nossos cursos e saíamos, de cidade em cidade, apresentando um pouco da gastronomia brasileira. Demonstramos até mesmo em grupos só de homens, que são muito comuns na Europa. Eles têm muito interesse pela culinária e gostam de aprender a preparar pratos diferentes.
Algumas vezes também demonstrei e ensinei as crianças da escola do meu filho sobre como preparar algumas delícias, com receitas menos elaboradas.
No decorrer dos 10 anos em que morei na Europa, procurei participar de cursos de gastronomia internacional, pois me atraíam as receitas de outros países como Tailândia, França, Marrocos, etc. Queria conhecer um pouquinho de tudo.
Aqui no Oriente, após ter apresentado um pouco da culinária brasileira para muitas amigas expatriadas, fui convidada para participar de um grupo de “cook demostration”international . São encontros mensais com 12 mulheres para apresentar um pouco da culinária do seu país de origem. Cada mês uma participante recebe em sua casa as companheiras do grupo. Neste dia apresenta um menu do seu país, demonstra o modo de preparação para as amigas e ao final da sessão desfrutam juntas do produto final, normalmente muitos saborosos.
Turquia, Marrocos, Inglaterra, Arábia Saudita, Paquistão, Bolívia, África do Sul, Líbano, Brasil, Porto Rico e Coreia são os países para este ano. Eu continuo representando um pouquinho da cultura brasileira, levando com muito orgulho as receitas da minha região, litoral norte de São Paulo, para a mesa das expatriadas.
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Vida de expatriada
15.5.13
Curiosidades da vida em Sandlândia (2)
Aqui segue mais um pouquinho sobre minha vida na Sandlândia.
Além das belas flores, no condomínio também existem lindas pessoas. Vivi 8 anos na Bélgica, mas é aqui em Sandlândia que tenho o mais íntimo contato com uma belga. Uma descendente de coreanos, nascida na Bélgica e que mora aqui como expatriada. Esta linda pessoa é capaz de me fazer voltar a Bélgica, para matar a saudade das delícias culinárias, como o “kass kroket”, um croquete de queijo, e a torta ganache de chocolate belga.
Os dades, ou tâmaras, são comuns no condomínio; encontramos espalhadas por toda orla tamareiras lindas, que dão estes frutos, tão consumido e apreciados por aqui. Comparo aos nossos coqueiros no Brasil, pois sao muitos e permitem uma atmosfera especial.
A água do Golfo Pérsico é muito salgada, por isto nos dá o grande poder de flutuação. Ainda que você não saiba nadar, é passível boiar gostoso, num relax quentinho, como se estivesse num gigantesco ofurô, pois a temperatura chega até 30 graus. Está água salgada, favorece o stand up paddel, o esporte que adotei por aqui.
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Festas latinas em Sandlândia
Se estamos entre amigas, ou ao menos colegas, nos entendemos só com o olhar. Já sabemos, miramos uma à outra, esperamos elegantemente e tin-tin! Apesar de me comunicar bem em inglês e ter iniciado agora o francês, sinto-me mais à vontade ao lado das amigas latinas, que falam espanhol nos encontros e nas festas. Por isto sempre menciono as latinas, na verdade, são minhas amigas da Bolívia, Venezuela e Espanha.
Precisamente nestes encontros, a boa compreensão dos assuntos conversados muitas vezes facilita e oferece algumas vantagens, principalmente quando queremos criar uma atmosfera mais próxima a que estamos acostumadas no Ocidente, mais relaxada... Sempre aproveito muito estas ocasiões com as latino-americanas. Solto meu portunhol e me faço entender.
Isto não acontece quando estou só com amigas árabes, ou com algumas outras estrangeiras, como por exemplo, algumas francesas e paquistanesas que também vivem no mesmo condomínio. Acho que elas realmente são fervorosas às regras. E, de um modo geral, as anfitriãs não fogem à regra com elas. A turma mais relax logo detecta quando há alguma birita caseira, elaborada a partir de suco de uva, a partir de um método que, infelizmente, não posso revelar. Aliás tenho que me policiar quando escrevo sobre muita coisa que acontece por aqui.
O álcool está proibido na Arábia Saudita, e ser encontrado bêbado pode causar graves problemas. Isto se deve à religião. O Islamismo impera no país e a leis são criadas respeitando seus mandamentos. O Islã é uma fé voltada para a comunidade. Não há lugar para o indivíduo fazer o que quer, se isso prejudica aos demais. No Alcorão os intoxicantes e o jogo são considerados abominações de Satanás e se ordena evitá-los.
O Alcorão é um livro de orientação enviado para toda a humanidade. É um conjunto de instruções do Criador para sua criação. Se seguirmos essas instruções nossas vidas serão fáceis e tranquilas, mesmo em face de desastre e desgraça (Alcorão 5: 90).
Na verdade, vejo muitas proibições decorrentes da religião, mas também vejo muito desrespeito ao ser humano. Vocês não imaginam como eles são loucos no trânsito. Não respeitam os sinais fechados e os limites de velocidade, tudo isto aliado à falta de eficiência na direção. Escreverei sobre isto num outro momento.
Meu marido é engenheiro eletrônico e trabalha numa empresa de petróleo europeia. Veio como chefe de uma equipe que está construindo uma refinaria de petróleo, na cidade considerada o maior polo petroquímico do mundo. Ele é uma pessoa muito competente e adora o que faz, tem um perfil humanista e é muito competente para lidar com seus funcionários, a maioria de origem indiana e filipina, que executam a parte mais dura do projeto. São eles que enfrentam o calor e as tempestades de areia no local da construção da refinaria.
As mulheres acompanham os maridos, mas sentem muito a diferença cultural. Gostam de se reunir muitas vezes, pelo menos uma vez ao mês, para não perder o costume latino de curtir uma boa comida e uma boa dança. Eu pego carona nestes embalos, quando estou cansada de organizar minhas próprias agitações no condomínio. Afinal, tudo acaba numa boa e com mesa farta, regada a comilanças e bebedeiras, uma pena que 99% seja sem álcool, mas com nosso jeitinho latino de ser, algumas vezes aparece um traguinho para acalentar a alma.
Saindo do nosso condomínio para outro lugar, privado também, para uma Festa Hippie Chic na casa da amiga boliviana.
As tortas sempre são lindas e deliciosas!
Criei esta cortina, que aparece atrás, para que as convidadas depositassem alguma colaboração em dinheiro. Enviamos o valor arrecadado para uma instituição boliviana.
As músicas dos anos 70 nos embalaram...
Decoração típica para a Festa Hippie Chic: minha amiga boliviana no comando!
Embaixo da abaya sempre levamos os trajes típicos para cada festa.
Um brinde é sempre saudável! E com água com menta, para refrescar...
E viva a Vida, em qualquer lugar por onde andemos!
E viva a Vida, em qualquer lugar por onde andemos!
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9.5.13
Curso de dança flamenca em Sandlândia
O flamenco é a música e a dança cujas origens remontam às culturas cigana e mourisca, com influências árabe e judaica. A cultura do flamenco é associada, principalmente, à região da Andaluzia na Espanha, assim como as regiões de Múrcia e Estremadura.
O passado do flamenco é regado de dor, perseguição e sofrimento. Fortemente influenciado pelas culturas cigana, mourisca e árabe, o flamenco surgiu pela fusão dessas raízes em um momento histórico difícil. Para aliviar o sofrimento, refletiam na música flamenca o espírito desesperado das lutas, a esperança, o orgulho e a alegria das festas daquele tempo. Muitas das músicas flamencas ainda hoje expressam os sentimentos de desespero, esperança e orgulho desta época, assim como a alegria das festas noturnas. A música mais recente, de outras regiões de Espanha, também foi influenciada pelo estilo tradicional do flamenco. As categorias de flamenco se subdividem em estruturas rítmicas chamadas “palos”, como por exemplo: soleá, malagueña, bulerías, calliano, rumbas, sevillanas, jondo, tientos e tarantas.
Em Sandlândia surgiu a oportunidade de voltar a estudar flamenco. Aqui, em frente ao Golfo Pérsico, temos um salão que nos acolhe duas vezes por semana e nos permite liberar nosso espírito, soltar nossas amarras e vivenciar as gostosas e produtivas aulas com Olga Ravea, nossa querida instrutora e bailarina da Companhia de Flamenco da Andaluzia. Somos seis alunas agora: uma brasileira, duas francesas, uma coreana, uma venezuelana e uma italiana. Mesclamos nossa gana com o desejo de sapatear e deixar fluir a paixão do flamenco.
Nosso grupo dedica-se a dança Sevilhana, que tem expressões fortes e movimentos vigorosos, usando muito os braços e os pés. Para uma brasileira, às vezes estes movimentos se parecem duros demais. Automaticamente nos soltamos, com o gingado e o remolejo das danças brasileiras, onde usamos muito a sensualidade. Mas com muito treino e dedicação, podemos apresentar a dança de maneira autêntica.
Dançamos com saias largas e compridas e usamos sapatos especiais, com um retoque de metal na sola para fazer barulho quando tocamos o solo. Normalmente as dançarinas prendem seus cabelos e maquilam bem os olhos, procurando exibir uma expressão bem apaixonante e em sintonia com a melodia.
Infelizmente nosso curso tem tempo curto, já que nossa querida professora voltará para a Europa, mas tenho certeza que irá bem feliz por ter plantado no coração das latinas, aqui no Oriente, algo especial da sua rica cultura espanhola.
Não há fronteiras nem idade para o aprendizado. Sinto-me como uma adolescente, descobrindo outras alternativas e possibilidades para a vida. Quando realizo os exercícios com os pés, vejo o quanto necessitamos da nossa mente para dançar.
Acho que o flamenco é uma dança passional. Necessitamos representar para dançar. Precisamos nos desligar do mundo externo e deixar as emoções fluírem, embaladas pelas canções, algumas vezes nostálgicas e emotivas, mas sempre com muita paixão.
Ao dançar flamenco, precisamos despertar nossa concentração e coordenação motora, para que ao menos alguns passos e movimentos sejam dignos de se apresentar. Pensando bem, acho que a dança pode ser um bom exercício preventivo contra nosso amigo alemão, o tal do Alzheimer.
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4.4.13
Curiosidades da vida em Sandlândia (1)
Outro dia cheguei em casa meio abobalhada. Levei um tombo de bicicleta, no trajeto que sempre faço, quando vou para o Rec Center, lugar onde nos encontramos para fazer atividades, como fitness, ioga e dança. Aí também comemos, há um restaurante e um spa.
Estava toda relaxada depois da minha aula de flamenco. Resolvi acompanhar a professora e degustar o menu: uma sopa e uma linda salada. Conversamos sobre a vida e as atividades das expatriadas por aqui. Falamos da ansiedade por não sabermos onde estaríamos depois desta experiência aqui em Sandlândia. Por fim, satisfeita, com a barriguinha cheia e precisando de uma “siesta”, me despedi.
Subi em minha bicicleta holandesa, que todas adoram, pois não existem muitas bicicletas por aqui. Coloquei meus apetrechos na cestinha e me dirigi à rampa que me levaria ao caminho de casa. Como se levasse um empurrão de alguém que gostaria de me jogar no chão, senti, em uma fração de segundos, a sensação de estar sendo protegida, se não por mim mesma, por meus reflexos e cai sobre uma moita de cravos amarelos. As flores foram esmigalhadas por meus quilinhos extras e impregnara, meu nariz que beijou o gramado. Minhas roupas ficaram com aquele cheiro que sempre me lembra um velório. Sai desse corpo que este corpo não te pertence, foi o que disse quando me levantei e vi minha bicicleta com alguns raios quebrados e toda torta no chão.
O indiano que trabalha na recepção veio ao meu encontro e se propôs a me ajudar, depois de me advertir que não deveria descer a rampa em bicicleta. Desviei o assunto e o agradeci, subi na bicicleta desentortada por ele e segui pedalando, admirando o belo jardim do condomínio, com os pensamentos voltados ao “se”: se tivesse me quebrado, se tivesse caído no concreto em vez do gramado, se tivesse sido mais cautelosa, se realmente usasse a bike como uma senhora e não mais como uma adolescente, se, se, se...
Esquentando meu travesseiro à noite, só podia agradecer a Deus por ter passado o susto, e não ter me machucado muito, só foram alguns arranhões nas pernas e uma batida no nariz. Senti que meu anjo da guarda às vezes dá um cochilo também, mas se escuta umas palavras minhas, me atende e não me deixa na mão.
A moita de cravos já estará replantada, pelas mãos dos dedicados jardineiros indianos que trabalham por um mínimo salario, aqui na terra dos sheiks. Minha nova rotina incluirá estar mais atenta aos meus próprios movimentos e respeitar a dinâmica do meu corpito que já está nos “enta” Tenho muita agilidade, mas também as limitações de uma “entona”!
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Vida de expatriada
6.6.12
Expatriadas
Como agora também sou uma expatriada em Sandlândia resolvi postar aqui um pouquinho das histórias de expatriadas que conheço.
Por acompanhar o marido em projetos internacionais, vivo sempre uma expectativa quando chego num novo país. Aqui na Sandlândia ela foi um pouco maior, pois a cultura árabe é mesmo muito diferente da nossa latina e da europeia, a qual já estava vivenciando há 10 anos.
Mas, como sempre, encontramos pessoas afins em qualquer canto, em qualquer lugar. Com alegria encontrei muitas europeias e algumas latinas no condomínio em que vivemos (ou “compound” como eles chamam aqui). Eu que estava orgulhosa por já estar falando holandês, pois estudei 5 anos na Bélgica e é a língua materna do meu marido, precisei me virar com meu “bad english” e meu portunhol para me relacionar com as novas amigas.
Fico surpresa por entender quase tudo quando as francesas falam. Amo este idioma, mas na hora de falar não me arrisco, prefiro usar o inglês e espanhol que já estão bem mais lapidados em minha mente. Está sendo uma delícia este envolvimento com os idiomas, cada dia aprendo mais e me certifico de que não há barreiras quando nos deparamos com a necessidade de superar as dificuldades. Bom, acho que minha personalidade me ajuda muito nesta hora, não tenho vergonha de me expressar e a comunicação nunca foi um problema para mim, mesmo sabendo que em outros idiomas de vez em quando devo soltar algum “mim quer bananas”.
Claro que meus melhores contatos são com as venezuelanas, bolivianas e brasileiras que encontro por aqui, mas estou amando me relacionar com as francesas e com as americanas também, apesar delas não se misturarem muito.
Somos limitadas a algumas coisas, pelas leis do país, como por exemplo não poder dirigir, sair do condomínio só com o motorista ou com o marido, usar a Abaya (roupa típica para as mulheres) que é um manto negro que com o sol de 46º pode nos assar e por a Sandlândia nao ser um país turístico. Então não há tantas opções para estarmos fora do nosso “compound” que se assemelha muito a um resort. Passamos a maior parte do tempo criando programas, curtindo academia, praia, piscina e jardins lindos que nosso lar nos oferece.
Ficar sossegadinha para mim é um tanto difícil. Desde que cheguei na Sandlândia, programei e organizei alguns eventos. Já fiz uma festa brasileira, apresentando um pouco da nossa cultura e culinária, cursos de culinária, encontros na praia para trocas de experiências, aulas de violão on line, entre outras peripécias. Tenho percebido que já não conto os dias para partir, vivo cada dia intensamente, tentando tirar proveito de todos os aprendizados, de todos os contatos com as novas colegas e amigas e registrando quando me sobra um tempinho algumas passagens para em algum tempo ou em algum lugar dividir com os que me acompanharem.
Tenho procurado também o contato com as nativas, apesar de ser algo mais distante por aqui, pois elas são proibidas de entrar no nosso “compound”. As encontro em casas de amigas estrangeiras que vivem em Sandlândia há muito tempo e por isto já se relacionam um pouco mais com as sandilanesas. Elas normalmente estão mais em suas casas, a cuidar dos filhos, fazer suas orações e preservando a cultura. Felizmente conheci a K., uma simpática e espontânea mulher que me mostrou muita coisa interessante de sua cultura. Vou detalhar para vocês em outro post. Sou muito feliz por ter conseguido fazer uma amiga nativa, em meio a esta cultura tão fechada e ter podido mostrar a ela um pouquinho da nossa cultura também, pois imagino que a viagem mais longa que lhe foi permitida fazer foi ir a capital de Sandlândia.
Deixo algumas fotinhas por aqui e termino, pois vou agora para uma aula de culinária do Paquistão.
Mas, como sempre, encontramos pessoas afins em qualquer canto, em qualquer lugar. Com alegria encontrei muitas europeias e algumas latinas no condomínio em que vivemos (ou “compound” como eles chamam aqui). Eu que estava orgulhosa por já estar falando holandês, pois estudei 5 anos na Bélgica e é a língua materna do meu marido, precisei me virar com meu “bad english” e meu portunhol para me relacionar com as novas amigas.
Fico surpresa por entender quase tudo quando as francesas falam. Amo este idioma, mas na hora de falar não me arrisco, prefiro usar o inglês e espanhol que já estão bem mais lapidados em minha mente. Está sendo uma delícia este envolvimento com os idiomas, cada dia aprendo mais e me certifico de que não há barreiras quando nos deparamos com a necessidade de superar as dificuldades. Bom, acho que minha personalidade me ajuda muito nesta hora, não tenho vergonha de me expressar e a comunicação nunca foi um problema para mim, mesmo sabendo que em outros idiomas de vez em quando devo soltar algum “mim quer bananas”.
Claro que meus melhores contatos são com as venezuelanas, bolivianas e brasileiras que encontro por aqui, mas estou amando me relacionar com as francesas e com as americanas também, apesar delas não se misturarem muito.
Somos limitadas a algumas coisas, pelas leis do país, como por exemplo não poder dirigir, sair do condomínio só com o motorista ou com o marido, usar a Abaya (roupa típica para as mulheres) que é um manto negro que com o sol de 46º pode nos assar e por a Sandlândia nao ser um país turístico. Então não há tantas opções para estarmos fora do nosso “compound” que se assemelha muito a um resort. Passamos a maior parte do tempo criando programas, curtindo academia, praia, piscina e jardins lindos que nosso lar nos oferece.
Ficar sossegadinha para mim é um tanto difícil. Desde que cheguei na Sandlândia, programei e organizei alguns eventos. Já fiz uma festa brasileira, apresentando um pouco da nossa cultura e culinária, cursos de culinária, encontros na praia para trocas de experiências, aulas de violão on line, entre outras peripécias. Tenho percebido que já não conto os dias para partir, vivo cada dia intensamente, tentando tirar proveito de todos os aprendizados, de todos os contatos com as novas colegas e amigas e registrando quando me sobra um tempinho algumas passagens para em algum tempo ou em algum lugar dividir com os que me acompanharem.
Tenho procurado também o contato com as nativas, apesar de ser algo mais distante por aqui, pois elas são proibidas de entrar no nosso “compound”. As encontro em casas de amigas estrangeiras que vivem em Sandlândia há muito tempo e por isto já se relacionam um pouco mais com as sandilanesas. Elas normalmente estão mais em suas casas, a cuidar dos filhos, fazer suas orações e preservando a cultura. Felizmente conheci a K., uma simpática e espontânea mulher que me mostrou muita coisa interessante de sua cultura. Vou detalhar para vocês em outro post. Sou muito feliz por ter conseguido fazer uma amiga nativa, em meio a esta cultura tão fechada e ter podido mostrar a ela um pouquinho da nossa cultura também, pois imagino que a viagem mais longa que lhe foi permitida fazer foi ir a capital de Sandlândia.
Deixo algumas fotinhas por aqui e termino, pois vou agora para uma aula de culinária do Paquistão.
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29.3.12
Escapadas para carregar a bateria
Realmente como eu esperava, a pensão da Tia Valeria na Arábia Saudita está em baixa. Sandlândia não é um país considerado turístico e há dificuldade de se obter visto. Nós temos visto de trabalho conseguido através do empregador do meu marido. Só conseguiríamos facilitar visto para parentes diretos como mãe, pai e filhos. Por aí já dá para perceber que nossa casa está sossegada.
Fora os encontros e festas que organizo com os novos amigos que encontrei por aqui, aproveitamos os dias de férias escolares do filhote para sair pelo mundo afora a ocupar as pensões de amigos e da família.
Férias de Páscoa? Nada melhor do que ir degustar um chocolate belga. Visitar a família do Joris, meu amado belga, rever amigos que deixamos nos oito anos em que lá vivemos e saborear a culinária e os drinks europeus.
A alimentação nunca foi um problema para nós em outros países. Não sou aquele tipo de brasileira que não vive sem feijão com a arroz. Procuro sempre me adaptar ao cardápio e à culinária local. Mas confesso que já estou um pouco enjoada dos temperos fortes que encontramos por aqui. A cozinha local tem influências das cozinhas iraniana, indiana e filipina.
Minha boca enche da água pensando que dentro de pouco estarei na belíssima sala de jantar da minha cunhada na Bélgica e saborear o menu preparado por seu marido que nos apresentará no almoço de Páscoa... Hummm. Ele é um advogado apaixonado e gourmet, que faz parte de um clube masculino de culinária na França.
Me divido entre encontros familiares e com os amigos brasileiros queridos que ainda vivem por lá. Uma amiga organiza uma festa em sua casa para me receber e ali encontrarei dezenas de amigos que deixei. Com outro grupo querido, curtirei um restaurante espanhol que adoro, com certeza secaremos umas jarras de sangrias assim como nossas bocas colocando o papo em dia.
Com a família celebraremos a Pascoa e o aniversário da minha sogra. Com um professor de violão reciclarei meus conhecimentos e arranharei acordes da nossa saudosa música brasileira, para colocar em prática em Sandlândia.
Realmente tenho que ter energia para dar conta de tudo isto em apenas cinco dias. Coisas de Valeria. Como diz minha mãe, parece que o mundo vai acabar amanhã. Não que seja verdade, mas temos que tirar proveito de cada dia, temos que viver o dia de hoje como se fosse o último dia, viver o aqui e agora. Este é meu mantra!
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29.2.12
Festa de 50 anos do maridão
Como boa festeira que sou, sempre organizando festinhas para os amigos, família, colegas, enfim, para quase todo mundo, não poderia deixar de organizar algo para meu querido companheiro, nos seus 50 anos de vida, muito bem vividos, diga-se de passagem.
Apesar das limitaçães, como por exemplo, a ausência da família e dos amigos dos velhos tempos, a impossibilidade de brindar com champanhe ou com uma caipirinha, bebida favorita dele, e de outras facilidades que encontramos no mundo ocidental, deu certo. Objetivei e fui atrás de coisas para alegrar uma galera de expatriados aqui na Sandlândia e celebrar o cinquentão do Joris.
Comprei tecidos lindos e fiz uma decoração dourada, como seus 50 anos. Obtive ajuda das amigas latinas para elaborar os quitutes. Fizemos um buffet sortido de culinária latina, europeia e oriental. Foi satisfação total, não sobrou nada. Fiz um painel de fotos gigante, desde seu nascimento até hoje, que o surpreendeu muito, pois sou zero em coisas técnicas no computador. Encontrei uma amiga espanhola que topou ser a dj da festa e animou a galera das 7 da noite a 1 da manhã. Tudo isso sem drinks alcoólicos.
No final, o contentamento de ver os olhos do Joris brilharem de alegria e a satisfação em celebrar seus 50 anos num lugar distante, trabalhando num projeto importante, mas rodeado de novos amigos, valeu a pena.
Os franceses, venezuelanos, brasileiras e até os sandlaneses com certeza não esquecerão de um tal dia 22 de fevereiro em Sandlândia, que teve até carnaval brasileiro, em comemoração das bodas do belga.
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31.10.11
Esportes!
Aos longos destes 4.4 anos de vida sinto-me feliz por ter tido a oportunidade de nascer numa família que adora esportes. Recordo-me que desde criança ia para os jogos de futebol do time que meu pai dirigia e no qual meu irmão jogava. Aos 8 anos comecei na natação. Fui atleta federada e representava minha cidade em campeonatos na capital. Treinava no clube da Petrobras de São Sebastião, o Tebar, e por lá passei minha juventude.
Aos 13 iniciei no Volleybol, conciliando os treinos dos dois esportes e a escola. Me destaquei e era conhecida como Lela paralela. Tinha braços longos e estatura esguia para minha faixa etária, isso me permitia cravar nos 3 e na paralela da quadra. Que época maravilhosa e saudável.
Aos 13 iniciei no Volleybol, conciliando os treinos dos dois esportes e a escola. Me destaquei e era conhecida como Lela paralela. Tinha braços longos e estatura esguia para minha faixa etária, isso me permitia cravar nos 3 e na paralela da quadra. Que época maravilhosa e saudável.
Com o decorrer do tempo, tive que assumir mais profundamente os estudos e a batalha para poder pagá-los, já que precisei trabalhar desde muito jovem. Assim me fui afastando dos treinos, mas nunca por completo. Sempre que tinha oportunidade jogava nos torneios de praia, aos fins de semana e depois do curso universitário ingressei no time veterano da minha cidade. Talvez precocemente, mas era lá que me sentia a vontade para me soltar em quadra e relaxar a mente, sempre cansada com a batalha do dia-a-dia dos estudos e do trabalho.
O frescobol foi, e ainda, é um esporte alternativo que adoro, uma atividade que não me exige treino e só me traz contentamento e dor no bumbum, resultado dos agachamentos necessários para se ter uma boa sintonia com o parceiro e a bola. Também me permite pegar um bronzeado em dia de sol.
Em conjunto com o frescobol, me liguei ao surf. Graças a uma amiga querida, Regina Santos, a Nininha, pioneira do bodyboard em nossa cidade São Sebastião. Treinávamos muito nas ondas de Guaecá e Maresias. Fomos patrocinadas por grandes empresas de surfwears, participamos de campeonatos em outros estados, principalmente no sul do país, e mantínhamos nosso corpo saudável e elegante, com muito prazer.
Para minha formação de psicóloga do esporte, ingressei no mergulho livre. Necessitava conhecê-lo melhor para entender as fobias e pânicos que o atleta pode vivenciar embaixo da água. Foi um esporte inesquecível, uma experiência única que realizava na Ilhabela, hoje em dia famosa por esporte náuticos. Com o início da carreira profissional não sobrou mais tempo para desfrutar do esporte que ainda pretendo reativar em minha vida.
Casando-me com um marido esportista e naturalista, não podia deixar de lado a prática esportiva, apesar dos esportes preferidos de meu amado serem bem diferentes dos de meu agrado, mas lá fui eu ter contato com o ar, tirar os pés do chão e voar de paraglider. Fiz o curso com um instrutor muito competente e decolei pela primeira vez no Morro do Guaecá, a praia onde década atrás eu deslizava nas ondas, fui experimentá-lo do alto. Foi mágico, e me deu uma sensação de inteireza e capacidade, mas não era o que eu levaria pela frente como esporte. Acompanhei meu marido que se tornou atleta fiel ao voo livre. Estivemos em montanhas gigantescas na França, Alemanha, Suiça e até mesmo no Brasil, mas o acompanhei apenas com minha máquina fotográfica, registrando os momentos de prazer e contemplação do meu marido que é apaixonado por este esporte.
Como na Bélgica, onde vivemos por 8 anos, não existe montanhas que favoreçam a prática do esporte, a maior acho que tem 300 metros e deixa a desejar para os gliders, esta atividade foi diminuindo em nossa rotina, dando vez então ao novo esporte que se tornou um hobby, o ciclismo.
Joris com seus interesses por ecologia e tecnologia, encontrou algo que satisfazia seu desejo de estar ativo e preservar a natureza. Encontrou em uma exposição na Alemanha o Velomobiel, uma bicicleta bem diferente, com 3 rodas e uma cabine, que permite pedalar sem se molhar na chuva e nos dias branquinhos de neve do inverno. Ele comprou uma e a adaptou com acessórios técnicos, como GPS, luzes, buzina... Enfim, parecia um carro, mas com funcionamento mecânico, dependendo só das nossas pernas para ganhar vida.
Foi então que começamos a fazer viagens de bicicleta. Fomos da Bélgica a Holanda, França e quase chegamos a Espanha. Como estes percursos dependem de tempo, ficamos limitados aos dias de férias e deixamos em nossos planos, terminar a viagem a Santiago de Compostela. Um dias desses ela sai.
Meu recorde foram 800 km numa semana com o velomobiel. Mas meu querido esportista Joris pedalava 75 km diários para ir ao trabalho, com isto fez 12.000 km, antes de vendê-lo tristemente quando nos mudamos para Espanha. Madrid é uma cidade que não possuí ciclovias e representava um risco para sua vida manter o hábito de ir ao trabalho de bicicleta como fazia na Bélgica.
Para não nos despedirmos de vez da prática ciclista, adquirimos um triker, que trouxemos para a Sandlândia na mudança, mas ele não foi bem recebido aqui por nossos seguranças e tivemos que enviá-lo para o Brasil.
Com minha preocupação e dor no coração, Joris pedala por nossa cidade sem ciclovias, mas somos felizes por perceber que o povo brasileiro começa a reconhecer a importância e o valor deste meio transporte. Sigo aqui acreditando que uma hora dessas as ciclovias seram implantadas por todos os lados do nosso lindo Brasil.
Joris, apesar de trabalhar com petróleo, afirma que o velomobiel, tal como as bicicletas, serão o transporte do futuro. O pretinho poderoso está com seus anos contados.
Agora que vivemos em Sandlândia, país onde a mulher tem menos ou quase nenhuma liberdade de expressão, não posso ir para a rua de bicicleta com roupa esportiva, não posso sair para dar uma corridinha no parque, a não ser que o faça com a abaya (tipo burka), que só vai me permitir uns bons tombos. Então resolvi praticar no condomínio onde moramos, onde posso andar à vontade, com roupas mais adequadas para este calor danado que sempre faz, o SUP Stand up. Trata-se de uma prancha de surf grande que te leva onde você quiser desde que tenha um pouco de força nos braços e equilíbrio. Estou adorando o novo esporte e treinando para nas férias de julho no Brasil remar com uns amigos caiçaras do canal de São Sebastião até a Ilhabela, cerca de 12 km, ida e volta. Será mais uma aventura para contar aos meus netinhos. Pelo jeito meu maridão aventureiro também, porém não tão radical, já que irá nos acompanhar nadando. Ele tem este objetivo há tempos. Vamos deixar rolar e aguardar as férias para desfrutar.
Atualmente remo na prainha do condomínio e jogo volley com os amigos de trabalho do Joris. Apesar de ser a única mulher, me sinto orgulhosa por ainda poder soltar uma paralela de vez em quando...
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1.9.11
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